Dr.-Elizio-Capa

Médico de Padre Cícero

Dr. Elízio Gomes de Figueiredo foi o médico que assistiu os últimos momentos de vida do Santo Padre Nordestino Cícero Romão Batista, e tem sua sepultura visitada as quintas-feiras até hoje em Juazeiro-CE.

Elízio Gomes de Figueiredo, nascido dia 02 de fevereiro de 1892, filho do magistrado Dr. Horácio de Figueiredo, ex-juiz de Direito da Comarca de Aracati, pertencente à plêiade dos estudantes caririenses que frequentavam o Colégio Floriano, do emérito professor e jornalista Raimundo Bizarria. O ginásio e a faculdade de Medicina da Bahia, e, ali, depois de bacharelados em Ciências e Letras, afinal se doutoraram.

Não obstante acenado com a possibilidade de êxito na disputa de uma cátedra na vetusta e tradicional Faculdade de Medicina da Bahia, recebida à láurea doutoral, Elízio preferiu retornar à gleba cearense de seu berço e nela se consagrar às respectivas atividades profissionais.

No Crato, em 1920, gozava da fama de médico-clínico de alta projeção e de orador, cujos fartos recursos tribunícios tinham sido postos à prova em discurso proferido na recepção ao Presidente João Thomé, e sua comitiva, quando estiveram na região, nos idos de 1918.

Nas dezenas de anos de convivência que naquela ditosa gleba sul-cearense mantive com o culto e humanitário médico, só encontrei motivos para ver crescer minha profunda admiração à sua inteligência e memória peregrinas e aos seus enobrecidos sentimentos humanitários.

Elízio Gomes de Figueiredo não pertencia ao número dos que, concluído o curso de discípulos de Hipócrates, passavam a exercer a profissão, esquecendo a constante consulta em livros e revista. Conta Oswaldo Cruz, o celebrizado Diretor da Saúde Pública no governo Rodrigues Alves, no Relatório apresentado a respeito do estado sanitário da Amazônia, na época da implantação da ferrovia Madeira-Mamoré, que ali só um médico encontrava clinicando “cientificamente”. Não era de forma diversa que, no Cariri, exercia suas atividades clínicas aquele novo facultativo, que se conservou sempre como estudante.

Sedento da conquista de novas áreas no campo do saber. Dominando o grego, o inglês, o francês e o italiano, fácil lhe era o acesso às obras estrangeiras, para se manter a par das novidades cientificas. Sobre a amplitude de seus conhecimentos, falou certa vez, provecto membro do magistério local, o Dr. J.M. Carvalho Junior, para quem o mesmo dava ideia de conhecer, com certa profundidade, todas as matérias lecionadas no Ginásio de Crato, e apresentava dispor de cultura geral raríssima de se registrar entre seus colegas de profissão.

Diretor do “Curso Secundário” de Crato, primeiro estabelecimento oficial dessa natureza existente ma região, criado por ato do Presidente João Thomé. Professor e Fiscal Federal, até atingir a compulsória, do Ginásio daquela cidade, suplente a deputado federal pelo PSD (antiga sigla do UDN) em 1934.

O Dr. Elízio Gomes de Figueiredo jamais foi, apesar do fenômeno da “municipalização” da inteligência de quantos se vinculam ao interior, um simples médico da roça, como tantos outros que pululam por aí afora. Ao contrário, por sua celebração poderosa a serviço do apostolado da ciência, transpôs merecidamente os umbrais da história, onde seu nome ficara para sempre consignado como um dos filhos dignos e ilustres, pelo vasto saber e sentimento humanitário, já produzidos por sua invicta cidade do Crato-CE.

Nota: Tenho muito orgulho e carinho por ser esse homem meu avô paterno, o qual levo seu nome em composição com o de meu pai José. Meu avô também é meu padrinho juntamente com minha avó, sua esposa. Sua sepultura é até os dias atuais visitada as quintas-feiras em Juazeiro-CE.

Dr Elizio G de Fogueiredo

 

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