Na noite de 30 de julho de 2018

O Deputado Federal Jair Messias Bolsonaro (PSL/RJ), agora oficialmente candidato à Presidência da República, participou do programa de entrevistas Roda Viva da TV Cultura (canal público do estado de São Paulo), do qual outros candidatos ao pleito também participaram anteriormente.

Sua presença no Roda Viva garantiu um dos maiores índices de audiência do programa recentemente, talvez perdendo apenas para a entrevista com o Juiz Federal Sérgio Moro, superando a audiência das edições com os demais atuais candidatos à Presidência da República, e consequentemente, sendo o principal assunto das redes sociais naquela noite e nos dias seguintes.

A #BolsonaroNoRodaViva ficou no primeiro lugar dos trending topics (tópicos mais importante) do Twitter no Brasil durante algumas horas, enquanto a #RodaViva permaneceu em primeiro lugar dos trending topics mundial durante a exibição do programa. Além disso, a pesquisa por Roda Viva foi a mais realizada no Google na noite do dia 30. Tudo isso significa que os brasileiros querem saber o quê o Jair Bolsonaro tem a dizer.

Dos diversos pontos que poderiam ser analisados sobre a participação do candidato devemos, antes de qualquer coisa, ressaltar o viés ideológico dos entrevistadores selecionados para a sabatina, dentre os quais a figura do âncora Ricardo Lessa – ex-guerrilheiro do grupo terrorista comunista MR-8 – é a mais emblemática. Porém, outros jornalistas participantes também já estão sendo expostos nas redes sociais por não serem isentos.

Com um séquito de entrevistadores de afinidade ideológica à esquerda não surpreende que uma palavra fosse repetida a exaustão: ditadura, ditadura, ditadura… Nenhuma questão foi tão explorada quanto esta e, por mais que as respostas do entrevistado tenham sido no sentido de apaziguá-la, como prevê a Lei da Anistia de 1979, esse não era o intuito dos entrevistadores. Assim, a temática era retomada exaustivamente a fim de obter alguma declaração polêmica de Jair Bolsonaro.

As perguntas utilizadas pelos jornalistas poucas vezes fugiram do lugar comum já visto ao longo de sua trajetória política, como forma de desidratar a candidatura de Bolsonaro: a morte de Vladimir Herzog durante o Regime Militar; a homenagem ao Coronel Brilhante Ustra durante a votação do impeachment de Dilma Rousseff; a suposta intenção de fechar o Congresso; o episódio em que teve sua arma de fogo roubada durante um assalto; além da utilização de notícias comprovadamente falsas, como a suposta expulsão do candidato das fileiras do Exército Brasileiro por insubordinação e a suposta idéia de metralhar a favela da Rocinha para acabar com o tráfico de drogas.

Enquanto isso, inúmeras perguntas relevantes sobre qualquer candidatura presidencial sequer foram feitas como, por exemplo, sobre o vice-presidente; coligações; tempo de propaganda; financiamento da campanha e temáticas próprias do cargo presidencial.

Após um início de entrevista marcado por certo nervosismo, Jair Bolsonaro conseguiu demonstrar ao longo do programa uma desenvoltura muito superior a outras participações televisivas. Porém, as diversas interrupções durante suas respostas transformaram o programa em uma espécie de debate aberto entre os jornalistas contra o entrevistado, o que poderia deixar o público confuso e, também, poderia tornar as suas respostas, por vezes, incoerentes para quem não estivesse mais atento ao contexto.

Por outro lado, em alguns momentos as respostas do candidato Jair Bolsonaro foram antológicas, dentre as quais a que melhor simboliza sua participação ocorreu quando os jornalistas questionaram “É carta branca para matar, é isso?”, “Então não precisa nem de julgamento?”, referindo-se ao enfrentamento à criminalidade no estado do Rio de Janeiro, e o Bolsonaro respondeu de pronto “Não, você não vai matar não. Você deixa ele atirar em você depois você dá uma florzinha nele, tá ok? Resolveu o problema”.

O desempenho do candidato Jair Bolsonaro nesta entrevista mostra seu amadurecimento político pois, mesmo estando em um ambiente tão hostil quanto o encontrado no Roda Viva de 30 de julho, não se deixou encurralar por determinadas perguntas. Todavia, além da entrevista, a participação de Jair Bolsonaro foi fundamental para desvelar o que é a grande mídia brasileira, a que interesses ela serve e, principalmente, seu indisfarçável compromisso ideológico com a esquerda enquanto afeta ares de isenção.

 

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Texto- André Luiz dos Santos e Silva Junior – Sociólogo

 

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