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A escolha do vice de Bolsonaro

A partir do momento em que a candidatura do Deputado Federal Jair Messias Bolsonaro (PSL/RJ) ganhou força, conquistou apoios importantes pelo país e, principalmente, obteve um formidável desempenho nas pesquisas eleitorais; a escolha do candidato a vice-presidência na sua chapa passou a ser o centro das atenções da grande mídia e de grande parte dos analistas políticos do país.

Toda sorte de especulações vieram a público envolvendo os nomes do Senador Magno Malta (PR/ES); General Heleno (PRP); Janaína Paschoal (PSL); Príncipe Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PSL) e General Mourão (PRTB). Os questionamentos sobre esta decisão político-partidária esteve pautando a grande mídia durante alguns meses, demonstrando assim como a candidatura de Jair Bolsonaro é relevante e importante para o pleito de 2018.

Isto fica claro, pois, igual fenômeno não ocorreu com outras candidaturas, que tiveram as escolhas para vice apresentadas ao eleitorado sem a mesma repercussão na grande mídia e nas redes sociais, e muito menos o processo de escolha foi acompanhado tão de perto e com igual curiosidade, como no caso de Bolsonaro

Nos primeiros dias de agosto de 2018 três nomes ainda figuravam como as opções possíveis e realizáveis para a composição da chapa do presidenciável, tendo em vista que o Senador Magno Malta (PR/ES) preferiu disputar a reeleição ao Senado Federal e seu partido não conseguiu coligar com o PSL, enquanto que o General Heleno (PRP) também enfrentou resistência de seu partido para coligar. Sendo assim, segundo a legislação eleitoral, os nomes ainda disponíveis eram: Janaína Paschoal, Príncipe Luiz Philippe de Orleans e Bragança e General Mourão.

Com a desistência de Janaína Paschoal alegando motivos familiares, às vésperas da convenção partidária que selaria essa escolha, Jair Bolsonaro tinha diante de si duas opções: o Príncipe e o General.

Entre o Príncipe e o General, Bolsonaro optou pelo General. Mas, no final das contas, quais são as consequências dessa escolha?

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Jair Bolsonaro e General Mourão

A escolha pelo vice militar garante de imediato mais tempo no horário eleitoral gratuito e algumas inserções de propaganda eleitoral ao longo do dia, por causa do seu partido; garante ainda a aproximação com um partido político já consolidado no cenário político-partidário nacional; e, principalmente, uma figura nova na política nacional, mas que já possui uma imagem forte dentro e fora das Forças Armadas e Auxiliares.

O General possui uma estreita relação de confiança com Jair Bolsonaro, anterior a disputa eleitoral, além de ter o trunfo de afastar, caso Bolsonaro seja eleito, qualquer sombra de um impeachment orquestrado por opositores, de um golpe institucional ou até mesmo de um atentado, uma vez que sua sucessão imediata trará um outro militar ao comando da República.

Ter firmado a escolha do General Mourão como candidato a vice-presidente não significa que o Príncipe Luiz Philippe ou os demais nomes cogitados anteriormente, sejam opções ruins, mas sim que dadas as circunstâncias político-partidárias atuais e a necessidade de formar um governo sólido após a vitória nas eleições, o General é o que mais agregaria estrategicamente.

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Príncipe Luiz Philippe de Orleans e Bragança

Ato contínuo a escolha do Mourão para vice, o Príncipe Luiz Philippe tornou-se uma possível escolha de Bolsonaro para chefiar a chancelaria brasileira e conduzir as Relações Exteriores do Brasil em seu eventual governo, o que parece ser um papel muito mais natural ao Príncipe; dada sua formação acadêmica (ciência política e administração), trabalho intelectual (escreveu o livro “Por que o Brasil é um país atrasado?”), ativismo conservador e o simbolismo de sua ancestralidade.

A questão da escolha do vice-presidente foi importantíssima para consolidar a candidatura Jair Bolsonaro como um contraponto as demais candidaturas frente ao eleitorado, pois ao se colocar diante de opções que não representaram apenas mais tempo no horário eleitoral gratuito, o presidenciável consolida o seu discurso de independência do compadrio político e do “toma-lá-dá-cá”. Assim, Bolsonaro transmitiu ao eleitorado a certeza de que suas escolhas para os nomes fortes em seu eventual governo não serão pautadas pelo jogo político já existente e muito conhecido pelos brasileiros, que já não o suportam mais.

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Texto de André Luiz dos Santos e Silva Júnior – Sociólogo

 

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